A soja iniciou a semana com forte valorização na Bolsa de Chicago e ultrapassou a marca de US$ 12 por bushel, atingindo o maior patamar registrado nas últimas nove semanas. O movimento foi acompanhado por avanços nos contratos de milho e trigo.
Conforme análise da TF Agroeconômica, o mercado agrícola permanece sustentado pelo crescimento da demanda, pelas incertezas relacionadas ao clima e pelo agravamento das tensões internacionais. Esses fatores aumentam a volatilidade das negociações e mantêm elevado o prêmio de risco das commodities.
Um dos principais fatores de suporte para a soja foi a retomada das aquisições realizadas pela China no mercado norte-americano. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos confirmou a venda de 340 mil toneladas do grão ao país asiático.
Também foram anunciadas negociações de 256.634 toneladas destinadas ao México e outras 110 mil toneladas para um comprador que não teve a identidade divulgada.
Além da demanda internacional, o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos continua sendo acompanhado pelos investidores. Soja e milho atravessam um período determinante para a formação da produtividade, tornando as cotações mais sensíveis às atualizações meteorológicas.
No mercado do milho, os contratos abriram as negociações com diferença positiva em relação ao fechamento anterior. A alta do petróleo contribuiu para o movimento ao aumentar a atratividade do etanol produzido a partir do cereal.
A utilização da soja na fabricação de biodiesel também reforça a procura pelos grãos. Com as plantações norte-americanas entrando na fase de floração, qualquer alteração nas previsões de chuva ou temperatura poderá provocar novas oscilações nos preços.
Os contratos futuros do trigo, por sua vez, apresentaram ganhos mais moderados. A movimentação ainda reflete as dificuldades logísticas e comerciais provocadas pelo conflito na região do Mar Negro.
O fechamento do Estreito de Kerch e os ataques contra estruturas portuárias em Odessa continuam comprometendo o fluxo de exportações da Rússia e da Ucrânia, dois importantes fornecedores mundiais do cereal.
Na França, a colheita do trigo alcançou 92% da área cultivada. Entretanto, o cenário das lavouras de milho preocupa o setor, já que apenas 41% das plantações foram classificadas em condições boas ou excelentes. No mesmo período do ano anterior, esse índice era de 72%.
Diante das incertezas climáticas e geopolíticas, a expectativa é de que os mercados agrícolas continuem apresentando oscilações ao longo da semana.
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