Por Ramiro Azambuja Ao longo da minha trajetória como empresário, tive a oportunidade de trabalhar com mulheres que comandavam operações complexas, negociavam grandes contratos, conduziam equipes numerosas e tomavam decisões difíceis sob pressão. Em muitos casos, percebi algo que merece reflexão: o comportamento era exatamente o mesmo que se espera de um bom líder, mas a interpretação mudava conforme quem ocupava a cadeira. Quando um homem decide com rapidez é firme. Quando uma mulher faz o mesmo é considerada dura. Se um executivo demonstra ambição, isso costuma ser interpretado como visão de futuro.
Quando se trata de uma mulher, ela precisa justificar suas intenções, escolhas e provar que continua sendo colaborativa. O comportamento permanece. O julgamento muda. Essa percepção não nasce de teoria. Nasce da observação do cotidiano empresarial. Costumamos acreditar que as empresas evoluíram apenas porque incorporaram mais mulheres em posições estratégicas. Sem dúvida, esse avanço é importante e precisa ser reconhecido. Mas diversidade verdadeira não acontece apenas quando mudamos a composição das equipes. Ela acontece quando aprendemos a avaliar pessoas pelos mesmos critérios.
Liderança, capacidade de execução e coragem para decidir não possuem gênero. O que existe são diferentes perfis, formas de pensar e de construir resultados. São essas diferenças que tornam uma equipe forte. Um dos maiores erros das organizações é acreditar que todos os líderes devem agir igual. Empresas saudáveis são construídas pela complementaridade dos perfis. Há quem inspire. Há quem organize. Há quem conecte pessoas. Há quem questione decisões. Há quem execute com precisão. Todos são necessários. O problema surge quando permitimos que estereótipos interfiram nessa leitura.
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