Em um discurso marcado pela emoção, a prefeita Flávia Moretti chegou às lágrimas ao relatar o cenário de colapso fiscal provocado por uma herança acumulada ao longo de décadas, afirmou que já precisou escolher entre pagar precatórios, salários ou medicamentos para a população e admitiu que, sem uma solução, medidas severas, incluindo demissões e enxugamento da máquina pública, poderão ser inevitáveis.
A reunião foi conduzida pelo presidente do Tribunal de Contas, conselheiro Sérgio Ricardo, e contou com a participação do conselheiro Antônio Joaquim, além de representantes do Tribunal de Justiça, Ministério Público, Procuradoria-Geral do Município e equipes técnicas. O objetivo da mesa técnica é construir uma saída institucional para um problema que, segundo os participantes, ultrapassa a atual gestão e se tornou um dos maiores passivos financeiros da história de Várzea Grande.
Ao abrir a coletiva, Flávia destacou que a reunião não serviu apenas para formalizar os trabalhos da mesa técnica, mas também para iniciar um amplo debate sobre a realidade orçamentária do município. “Hoje foi instalada definitivamente a mesa técnica para tratarmos da questão dos precatórios de Várzea Grande. Mas não foi apenas a instalação. Já iniciamos um grande debate sobre orçamento, receitas, despesas e transferências obrigatórias. Agora, os técnicos vão estudar toda a situação financeira do município para que possamos encontrar uma solução para essa dívida”, afirmou.
A prefeita revelou que a dívida consolidada com precatórios já se aproxima de R$ 1,2 bilhão, valor que continua crescendo diariamente em razão das atualizações monetárias registradas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo ela, boa parte desse passivo é resultado de décadas de inadimplência de administrações anteriores. “Hoje nós estamos pagando parcialmente um precatório de 1988. Só esse processo representa cerca de R$ 190 milhões. Além disso, aproximadamente metade dessa dívida está ligada ao DAE, principalmente por contas de energia elétrica que deixaram de ser pagas desde a época da antiga Cemat.
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