A solidariedade é uma das maiores virtudes humanas. Mas, quando perde de vista seu verdadeiro objetivo, pode produzir exatamente o contrário do que pretendia alcançar. É difícil encontrar alguém que seja contra ajudar quem precisa. A solidariedade está entre as mais nobres expressões da condição humana. É ela que sustenta famílias em momentos de crise, mobiliza comunidades diante de tragédias e inspira sociedades a proteger aqueles que, por diferentes razões, perderam temporariamente a capacidade de seguir adiante sozinhos. Talvez por isso façamos tão poucas perguntas sobre ela.
A principal é desconcertante em sua simplicidade: toda ajuda realmente ajuda? Boas intenções, por si sós, não garantem bons resultados. Entre aquilo que pretendemos fazer e aquilo que efetivamente acontece existe um elemento frequentemente negligenciado: a maneira como as pessoas respondem aos incentivos que criamos. Economistas costumam ilustrar esse fenômeno por meio do chamado Efeito Cobra. Segundo uma história amplamente difundida, durante o domínio britânico na Índia foi oferecida uma recompensa por cada cobra venenosa morta. A intenção era reduzir sua população.
O incentivo, porém, levou algumas pessoas a criar cobras apenas para abatê-las e receber o pagamento. Quando o programa foi encerrado, os animais foram soltos, e o problema tornou-se ainda maior. Independentemente da precisão histórica do episódio, a expressão permaneceu porque descreve um fenômeno recorrente: incentivos mal concebidos frequentemente produzem consequências opostas às desejadas. Essa lógica está longe de se restringir à economia. Ela aparece sempre que avaliamos uma ideia apenas pela nobreza de sua intenção, sem considerar os comportamentos que ela incentiva.
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