JB News Por Emerson Teixeira O adiamento do julgamento do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra Júnior, conhecido como Carlinhos Bezerra, acusado pelo feminicídio da ex-companheira Thays Machado e pelo homicídio de Willian César Moreno, provocou uma dura reação do Ministério Público de Mato Grosso. Para o promotor de Justiça Vinícius Gahyva, responsável pela acusação no caso, a desistência da defesa em permanecer no plenário do Tribunal do Júri representa uma estratégia processual que vem sendo utilizada com frequência em julgamentos de grande repercussão para retardar a prestação da Justiça.
Em entrevista concedida após a redesignação da sessão, Gahyva afirmou que a manobra extrapola os limites do direito constitucional à ampla defesa e à plenitude de defesa, comprometendo a credibilidade do Tribunal do Júri e causando frustração às famílias das vítimas e à sociedade. Segundo o promotor, o abandono do plenário não é um fato isolado, mas um expediente que tem se repetido em diversos julgamentos de crimes dolosos contra a vida, especialmente aqueles que despertam grande interesse público, como os casos de feminicídio e homicídios qualificados.
“Infelizmente, isso tem se tornado um modo frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri. Não é a primeira vez que ocorre abandono do plenário para provocar uma nova designação da sessão”, afirmou. Na avaliação do representante do Ministério Público, a intenção é clara: adiar o julgamento e tentar alcançar, em uma nova sessão, um Conselho de Sentença considerado mais favorável à defesa.
Para Gahyva, trata-se de uma estratégia que, embora atualmente encontre respaldo em entendimentos recentes da jurisprudência, acaba desgastando a própria imagem da instituição do Tribunal do Júri, cuja finalidade é assegurar que crimes contra a vida sejam julgados pelos representantes da sociedade. O promotor destacou que a realização de uma sessão do Tribunal do Júri mobiliza uma complexa estrutura do Poder Judiciário, envolvendo magistrados, promotores, defensores, servidores, oficiais de Justiça, testemunhas, familiares das vítimas, jurados e forças de segurança.
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