Na democracia, tão importante quanto vencer uma eleição é preservar as regras que tornam possível a próxima. Toda competição começa muito antes de seu início. Começa quando alguém estabelece as regras. No futebol, vence quem marca mais gols. Não importa quem teve mais posse de bola, jogou de forma mais elegante ou criou as melhores oportunidades. O placar pode até parecer injusto, mas não é arbitrário. Ele apenas aplica regras que todos conheciam antes do apito inicial. É exatamente isso que torna o esporte possível. Os jogadores disputam a partida. Não disputam as regras.

Na política, porém, as coisas são mais complexas. Também ali existem regras. Em uma democracia, vence quem obtém os votos necessários segundo o sistema eleitoral vigente. Isso não significa que o vencedor seja necessariamente o mais preparado, o mais competente ou aquele que governará melhor. Significa apenas que venceu de acordo com regras previamente estabelecidas e aceitas pela sociedade. Eleições não são concursos para descobrir quem tem razão. São mecanismos que permitem a sociedades profundamente divididas decidir, de forma pacífica, quem exercerá temporariamente o poder. Os votos medem votos.

Não medem caráter, competência administrativa, honestidade, sabedoria ou visão de futuro. Essas qualidades podem influenciar o resultado, mas jamais são garantidas por ele. É justamente por isso que democracias maduras distinguem conceitos que tantas vezes são confundidos: legalidade, legitimidade e mérito. Um governo pode ser perfeitamente legal e legítimo porque venceu uma eleição livre e, ainda assim, revelar-se um mau governo. Da mesma forma, um governante competente pode ser derrotado nas urnas. A democracia nunca prometeu escolher sempre os melhores.

Fonte da notícia: Diário do Poder
Matéria resumida pelo portal Publicada originalmente em Diário do Poder diariodopoder.com.br
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