Economia

Debate sobre contas públicas opõe governo Lula e gestão anterior

A situação das contas públicas brasileiras voltou ao centro do debate político e econômico após declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que atribuiu à gestão anterior parte das dificuldades fiscais enfrentadas atualmente pelo país. Segundo o ministro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva herdou um cenário delicado nas finanças públicas. No fim de janeiro, Haddad afirmou que a atual administração precisou lidar com um desequilíbrio fiscal deixado pela gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro....

Por EDS NEWS • 15/03/2026 22:56 (horário de MT)

A situação das contas públicas brasileiras voltou ao centro do debate político e econômico após declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que atribuiu à gestão anterior parte das dificuldades fiscais enfrentadas atualmente pelo país.

Segundo o ministro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva herdou um cenário delicado nas finanças públicas. No fim de janeiro, Haddad afirmou que a atual administração precisou lidar com um desequilíbrio fiscal deixado pela gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Alguns dias depois, no início de fevereiro, o ministro reforçou as críticas e utilizou termos mais duros para descrever o que considera irregularidades nas contas públicas do período anterior. Na ocasião, ele afirmou que houve uma espécie de manipulação contábil e classificou o cenário como uma situação extremamente grave para as finanças do país.

De acordo com a avaliação apresentada por Haddad, o último ano do governo Bolsonaro teria apresentado um superávit artificial nas contas públicas, o que, segundo ele, teria contribuído para a formação de um orçamento deficitário já no início da atual gestão, em 2023.

Os números oficiais, por outro lado, também são utilizados no debate para apresentar diferentes interpretações sobre o quadro fiscal. Em 2022, por exemplo, o Brasil registrou superávit primário equivalente a 1,25% do Produto Interno Bruto (PIB), resultado considerado o melhor em oito anos. O desempenho foi impulsionado principalmente por receitas extraordinárias e pela recuperação econômica após o período mais crítico da pandemia.

Mesmo assim, indicadores acumulados ao longo de 12 meses já mostravam redução desse resultado a partir de agosto daquele ano.

Nos anos seguintes, durante a atual gestão federal, as contas públicas permaneceram em terreno negativo. Em 2025, terceiro ano do governo Lula, o país registrou déficit primário de 0,43% do PIB, valor ligeiramente superior ao observado em 2024, quando o resultado havia sido de 0,4%.