Planalto avalia impacto de nova sobretaxa e adota postura cautelosa nas negociações

Governo já esperava a tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros e considera que EUA devem aguardar resultado das eleições para avançar nas tratativas O Palácio do Planalto já havia incorporado em seus cálculos a possibilidade de os Estados Unidos imporem a sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, no âmbito da investigação conduzida pelo governo Donald Trump sobre supostas práticas de trabalho forçado.
A avaliação interna é que Washington tende a reduzir o ritmo das negociações bilaterais a partir de agora, à espera do desfecho das eleições presidenciais brasileiras marcadas para outubro, para definir com qual interlocutor conduzirá os entendimentos. De acordo com fontes do governo, a administração Lula também já considera como provável que autoridades do governo Trump adotem gestos públicos ou privados em direção à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o que, na visão do Planalto, insere o tema tarifário no tabuleiro eleitoral.
Embora reconheçam os efeitos negativos da medida, integrantes do governo avaliam que os tarifaços de 2026 não representam o mesmo impacto daqueles impostos no ano anterior. O Brasil aposta ainda na sensibilização de setores produtivos e de representantes comerciais americanos, que, em audiências recentes sobre o tema, manifestaram-se contrariamente à sobretaxa, argumentando que ela também prejudica interesses dos próprios EUA.
Em nota oficial divulgada logo após o anúncio americano, a Presidência da República contestou a base legal da sobretaxa e voltou a mencionar a possibilidade de aplicação da lei de reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional. O governo também afirmou que levará a controvérsia à Organização Mundial do Comércio (OMC), embora haja ceticismo quanto à efetividade desse caminho, uma vez que a atual administração americana tem adotado postura crítica em relação à atuação do órgão. Internamente, o tema é tratado sob o prisma da soberania nacional e da defesa dos interesses econômicos do país.