Saúde

O cuidado com o paciente também é uma competência técnica

Por Dr. Vidal Guerreiro*Há uma equação simples que costuma orientar a escolha de um cirurgião plástico: quanto melhor a técnica, melhor o resultado. A lógica não está errada, mas está incompleta. Ela isola

Por EDS NEWS • 23/07/2026 15:07 (horário de MT)

Por Dr. Vidal Guerreiro* Há uma equação simples que costuma orientar a escolha de um cirurgião plástico: quanto melhor a técnica, melhor o resultado. A lógica não está errada, mas está incompleta. Ela isola a técnica como se fosse a única variável que determina o desfecho de uma cirurgia, quando na prática o resultado depende de um conjunto mais amplo de decisões clínicas, muitas delas tomadas antes do paciente entrar no centro cirúrgico e depois dele sair de lá.

Segundo a International Society of Aesthetic Plastic Surgery, o Brasil ultrapassou a marca de 2 milhões de cirurgias estéticas em um único ano, volume que coloca o país entre os líderes mundiais da especialidade. Esse volume não é apenas um número de mercado, é um indicador de responsabilidade clínica em escala. Quanto maior a demanda, maior a necessidade de critérios rigorosos em cada etapa do processo, da triagem inicial ao acompanhamento pós-operatório. Não se trata de uma questão de gentileza profissional. Trata-se de segurança do paciente. A consulta inicial é onde essa segurança começa a ser construída.

É nesse momento que o cirurgião precisa mapear riscos, avaliar biotipo e histórico clínico, e confirmar que o paciente reúne condições reais, físicas e emocionais, para ser submetido a um procedimento eletivo. Entender a expectativa do paciente não é uma formalidade de acolhimento: é parte do diagnóstico. Um paciente cuja expectativa não corresponde ao que a anatomia permite, é um paciente mal avaliado, independentemente da destreza técnica de quem o operou. Essa escuta também mudou de conteúdo.

O paciente que procura um cirurgião plástico hoje não pergunta apenas pelo resultado estético, pergunta pelo impacto da cirurgia na rotina, no trabalho, na vida física. Isso é ainda mais visível entre pacientes com rotinas de trabalho intensas, para quem um mês de afastamento tem custo real, profissional e financeiro, e por isso entra na equação da decisão com o mesmo peso do resultado estético. Um planejamento cirúrgico que ignora essa variável não é apenas menos empático: é menos ajustado à realidade do paciente que está diante do médico.