Montador de móveis diz que matou Nery por dívida com agiota e esperava receber R$ 200 mil

O montador de móveis planejados Alex Roberto de Queiroz Silva afirmou, durante interrogatório no Tribunal do Júri nesta quarta-feira (15), que decidiu matar o advogado Renato Nery porque estava endividado e sendo cobrado por agiotas. Réu confesso da execução registrada em 2024, ele declarou que ouviu do seu colega, o sargento da Polícia Militar Heron Teixeira Pena Vieira, que havia pessoas dispostas a pagar R$ 200 mil pelo assassinato e, diante do desespero financeiro, resolveu cometer o crime. A sessão é presidida pelo juiz Marcos Faleiros e é realizada no Fórum de Cuiabá.
Segundo Alex, Heron comentou que havia sido procurado para executar o advogado, mas ele próprio decidiu agir. “Ele me mostrou a foto e falou que estavam querendo matar esse advogado. Na época eu estava desesperado por causa de dívida, de agiota que eu estava devendo. Aí fui lá e matei o advogado”, afirmou. O réu disse que, inicialmente, ninguém lhe ofereceu dinheiro diretamente. Segundo ele, apenas depois da execução comunicou Heron de que havia cometido o homicídio. “Depois eu falei para ele que tinha matado o advogado. Aí ele falou que ia cobrar o pessoal. Eu nem sabia quem era esse pessoal”, declarou.
Alex também contou que morava em uma chácara cedida por Heron após enfrentar dificuldades financeiras e a morte da mãe. Conforme o depoimento, ele vivia no local com o filho e mantinha amizade com o policial militar. Sobre a arma utilizada no crime, o acusado contestou parte da investigação. Ele afirmou que não comprou a pistola, mas a alugou por R$ 1,5 mil de um homem conhecido apenas pelo apelido de “Rampa”, apontado por ele como integrante de uma facção criminosa. Segundo Alex, a pistola já foi entregue com munições e apresentava um defeito que fazia com que efetuasse vários disparos em sequência.
“Ele falou que a arma estava com defeito. Quando atirei, ela disparou tudo de uma vez”, disse. O réu afirmou ainda que devolveu a arma ao proprietário logo após o crime e que só soube posteriormente que o armamento havia sido apreendido em uma suposta troca de tiros com a polícia. Ao reconstituir a execução, Alex contou que esteve em frente ao escritório de Renato Nery no dia anterior ao homicídio, mas desistiu da ação. “Eu arrependi e fui embora. No outro dia voltei.