“Mandela escrevia cartas, Lula deu entrevistas e Bolsonaro não pode nem escrever para o filho”, dispara Abílio sobre decisão de Moraes sobre quebra de cautelar

JB News Por Nayara Cristina e Ayla Mara A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de suspender por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro repercutiu no cenário político nacional e chegou aos debates em Mato Grosso. A medida foi adotada após Flávio divulgar nas redes sociais uma carta escrita de próprio punho pelo pai, documento que, segundo Moraes, violou as medidas cautelares impostas ao ex-presidente, que está proibido de utilizar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros.
A suspensão também alcança praticamente todo o período da campanha eleitoral de 2026. Em Cuiabá, o prefeito Abílio Brunini saiu em defesa da família Bolsonaro e classificou a decisão como mais um capítulo daquilo que considera uma perseguição política contra o ex-presidente. Um dos principais aliados do bolsonarismo em Mato Grosso, Abílio afirmou que a reação em torno da divulgação da carta extrapola os limites da razoabilidade e representa uma tentativa de impedir qualquer manifestação de Jair Bolsonaro, mesmo quando feita de forma manuscrita.
Questionado sobre a decisão, o prefeito criticou a interpretação dada pelo STF e ironizou as restrições impostas ao ex-presidente. “O pai não pode mandar carta? Uai, que isso? É um absurdo. O Flávio recebeu uma carta do pai. Se o pai não pode falar, se o pai está censurado, se o pai não pode dar entrevista, se o pai não pode, às vezes, brincar com o cachorro porque já dizem que está se comunicando, agora o cara mandar uma carta escrita de próprio punho, com caneta e papel, também não pode?”, afirmou.
Na avaliação de Abílio, a decisão amplia um ambiente de censura que, segundo ele, acaba produzindo efeito contrário ao desejado pelos adversários políticos de Bolsonaro. “Eu acho que é uma banalização da narrativa e isso acaba prejudicando a própria esquerda, que quer censurar o Bolsonaro de todo jeito. Daqui a pouco, se o Bolsonaro fizer sinal de fumaça com a churrasqueira no fundo da casa, vão dizer que ele está usando fumaça para mandar mensagem.” Durante a entrevista, o prefeito também fez referência ao ex-presidente sul-africano Nelson Mandela para sustentar sua crítica às restrições impostas a Bolsonaro.