Irã pode recorrer à “guerra nas sombras” para ampliar pressão contra EUA e Israel

O regime do Irã pode recorrer à chamada “guerra nas sombras” para ampliar a pressão sobre os Estados Unidos e Israel após a escalada militar iniciada em 28 de fevereiro, com os ataques americanos e israelenses contra alvos iranianos. A avaliação foi feita por autoridades de segurança e analistas da área de relações internacionais e defesa.
Segundo essas avaliações, Teerã pode tentar atingir interesses americanos e israelenses fora do Oriente Médio, por meio de ações indiretas como atentados, sabotagens, espionagem, ataques cibernéticos ou operações conduzidas por intermediários, com o objetivo de ampliar o custo da guerra sem atrair novos atores para o campo de batalha. Nações da Europa e até o próprio território dos Estados Unidos são considerados possíveis alvos desse tipo de estratégia.
Tal padrão já foi observado em confrontos anteriores envolvendo o Irã. Durante a chamada Guerra dos 12 dias do ano passado, quando Estados Unidos e Israel atingiram instalações nucleares do regime, autoridades de segurança ocidentais e israelenses já haviam alertado para o risco de retaliações indiretas do Irã fora do Oriente Médio, incluindo ataques contra alvos ligados aos dois países, EUA e Israel, em território europeu.
À Gazeta do Povo, a professora Geni Emília de Souza, coordenadora do curso de Relações Internacionais da Cruzeiro do Sul Virtual, afirma que esse tipo de atuação faz parte da estratégia tradicional do regime islâmico quando este enfrenta adversários militarmente superiores. Segundo ela, o Irã costuma recorrer à guerra nas sombras para ampliar o custo do conflito sem depender apenas do confronto convencional. Souza observou que este tipo de estratégia tende a se tornar mais provável em momentos de forte pressão militar contra o regime, como no cenário atual.
Investigações conduzidas por autoridades europeias indicam que esse tipo de operação já foi realizada pelo regime iraniano em diversas ocasiões. Em junho de 2018, forças de segurança da Bélgica, França e Alemanha frustraram um atentado contra um encontro de opositores do regime islâmico perto de Paris. Segundo a investigação, o ataque havia sido organizado de forma clandestina por agentes ligados a Teerã e seria executado por intermediários, em um modelo típico de ação indireta. O plano, segundo as autoridades, foi coordenado pelo diplomata iraniano Assadollah Assadi, que acabou condenado por terrorismo pela Justiça belga. Ele foi libertado em 2023 durante uma troca de prisioneiros.