Polícia

Gaeco mira advogada suspeita de usar atuação profissional para apoiar Comando Vermelho dentro e fora da PCE

OPERAÇÃO DUPLA FACE

Por EDS NEWS • 17/07/2026 20:38 (horário de MT)

JB News Por Emerson Teixeira A suspeita de que a estrutura profissional de uma advogada estivesse sendo utilizada para favorecer integrantes do Comando Vermelho levou o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado a deflagrar, na manhã desta sexta-feira (17), a Operação Dupla Face. A ofensiva atingiu endereços em Nova Mutum e a Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá, e colocou a advogada Ana Paula Bacchi Muravski no centro de uma investigação sobre a rede externa de sustentação da facção criminosa.

Ana Paula é investigada por supostamente prestar apoio ao Comando Vermelho e atuar em benefício de integrantes da organização criminosa. O ponto central da apuração não é o simples fato de ela exercer a defesa de pessoas investigadas ou presas, atividade legal e protegida pelas prerrogativas da advocacia. A suspeita levantada pelo Gaeco é de que sua conduta teria ultrapassado os limites da representação jurídica e passado a atender interesses da facção. É justamente essa possível atuação paralela que explica o nome dado à operação.

A expressão “Dupla Face” faz referência à suspeita de que uma atividade profissional legítima poderia estar sendo usada como cobertura para a prestação de apoio a uma organização criminosa. Apesar da associação feita pelas investigações, o significado oficial do nome e os detalhes das condutas permanecem preservados pelo sigilo judicial. A investigação busca descobrir se a advogada teria funcionado como um elo entre membros do Comando Vermelho recolhidos no sistema penitenciário e integrantes da facção que continuavam em liberdade.

A diligência realizada na Penitenciária Central do Estado reforça a linha de apuração relacionada à comunicação entre o núcleo encarcerado e a estrutura externa da organização. Entre os pontos que deverão ser esclarecidos está a eventual transmissão de mensagens, recados, determinações ou informações entre presos e pessoas situadas fora da penitenciária. Os investigadores também procuram identificar se houve o compartilhamento de dados estratégicos, auxílio para manter contatos não autorizados ou qualquer outra forma de suporte capaz de favorecer o funcionamento da facção.