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Flip: evento de abertura define Orides Fontela como poeta universal

“Orides Fontela é uma poeta universal. Muitas vezes, a gente perde a dimensão diante do anedotário que envolve a Orides. Eu queria só sintetizar que ela é frágil e forte. Ela é alucinada e lúcida. Ela não é um sim, nem um não,...

Por EDS NEWS • 23/07/2026 14:40 (horário de MT)

“Orides Fontela é uma poeta universal. Muitas vezes, a gente perde a dimensão diante do anedotário que envolve a Orides. Eu queria só sintetizar que ela é frágil e forte. Ela é alucinada e lúcida. Ela não é um sim, nem um não, mas é um sim que traz o não no seio.” Com essas palavras, o crítico literário Augusto Massi descreveu Orides, de quem foi amigo e editor, para o auditório lotado durante a mesa de abertura da 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), na noite dessa quarta-feira (22), que teve a participação também da poeta Marília Garcia.

A poeta Orides Fontela é a homenageada do evento, que tem extensa programação cultural até domingo (26), em diversos espaços no centro histórico da cidade. Notícias relacionadas Primeiros poemas da juventude já revelavam grandeza de Orides Fontela. Orides Fontela: a radicalidade de uma vida dedicada à poesia. Flip celebra legado de Orides Fontela com lançamento de obras inéditas.

Massi, que é crítico literário e professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo (USP), apresentou a trajetória literária da escritora, como se levasse o “leitor pela mão” – como ele próprio definiu – ao cruzar uma ponte, em uma travessia para o outro lado de um rio, onde o público pudesse chegar mais perto da poesia de Orides. Na apresentação, ele destacou elementos que atravessam o trabalho da escritora, como a formação católica, a cultura greco-romana, os estudos em filosofia, até a experiência da poeta no zen budismo, quando há uma abertura às influências do Oriente.

O crítico literário Augusto Massi participa da mesa de abertura da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Ao longo da carreira, Orides publicou cinco livros de poesia: Transposição (1969), Helianto (1973), Alba (1983), Rosácea (1986) e Teia (1996). Com Alba, que tem prefácio do crítico Antonio Candido, ela ganhou o Prêmio Jabuti na categoria Poesia. “Em Rosácea, vem um poema muito conhecido dela, dos mais antológicos. Ela começa um caminho novo, não só pela [influência do zen budismo], mas é a primeira vez que ela fala da vida pessoal dela”, relatou Massi.