Falta de chuvas provoca atraso no plantio de soja e preocupa produtores em Mato Grosso

O cenário de incerteza marca a safra de soja 2024/25 em Mato Grosso, onde a falta de chuvas tem sido o principal empecilho para o avanço do plantio. Até o momento, apenas 25% da área destinada à cultura foi semeada, o que representa um atraso significativo em comparação aos anos anteriores. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), no mesmo período de 2023, mais de 60% das lavouras já haviam sido plantadas. A média dos últimos cinco anos aponta para um atraso de 20% na atual safra.
Em regiões como Carlinda, os agricultores enfrentam desafios adicionais. O produtor Mateus Berlanda, delegado coordenador do Vale Teles Pires da Aprosoja MT, explicou que poucos começaram a plantar em setembro, com a maioria adiando a semeadura para outubro. O produtor Willian Piloni, por exemplo, começou o plantio no dia 8 de outubro e, até agora, apenas 40% da sua área foi plantada, contando com duas chuvas acumuladas. "A agricultura é uma atividade de incertezas. Investimos todo o capital e aguardamos com fé a colheita", comentou Willian.
Em Nova Canaã do Norte, o cenário é similar. O produtor Roberto Calzolari relatou que o atraso no plantio foi causado pela estiagem, mas que as chuvas recentes renovaram suas expectativas. "Iniciamos o plantio com 40% da área coberta e esperamos que as coisas se normalizem nas próximas semanas", disse.
A dependência das previsões climáticas é um fator constante para muitos agricultores, como explicou Pedro Calzolari, que trabalha ao lado de seu pai Roberto. "Monitoramos o clima a cada 10 ou 15 dias para ajustar nosso cronograma de trabalho", destacou.
Apesar dos desafios, a estimativa do Imea para a safra 2024/25 é otimista, projetando um aumento de 12,8% na produção de soja em relação à safra anterior, que rendeu 39 milhões de toneladas. No entanto, essa previsão depende fortemente da regularidade das chuvas, o que também influencia a segunda safra de milho.