Polícia

Desvio de R$ 708 milhões de aposentados do INSS é apontado pela Polícia Federal e 48 pessoas são indiciadas

Relatório da Polícia Federal aponta que grupo fazia descontos indevidos em benefícios previdenciários e desviava recursos por meio de empresas de fachada. Pollyana Araújo A Polícia Federal concluiu que um esquema de fraudes con...

Por EDS NEWS • 14/07/2026 23:35 (horário de MT)

Relatório da Polícia Federal aponta que grupo fazia descontos indevidos em benefícios previdenciários e desviava recursos por meio de empresas de fachada. Pollyana Araújo A Polícia Federal concluiu que um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) desviou R$ 708 milhões e resultou no indiciamento de 48 pessoas, entre elas ex-presidentes do órgão, um ex-ministro da Previdência, dirigentes de entidade investigada e operadores financeiros. O relatório final foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.

O inquérito trata das irregularidades envolvendo a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), apontada como uma das entidades utilizadas para realizar descontos associativos sem autorização de aposentados e pensionistas. Entre os indiciados está o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, acusado pela Polícia Federal de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Durante a investigação, ele negou ter praticado qualquer irregularidade.

Também foram indiciados o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes; o ex-presidente do INSS e ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira; o procurador do INSS Virgílio Antonio Ribeiro de Oliveira Filho; o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”; o ex-deputado federal Euclydes Pettersen, além de outros integrantes apontados como responsáveis pela operacionalização do esquema.

Como funcionava o esquema Segundo a Polícia Federal, os descontos eram feitos diretamente nos benefícios previdenciários por meio de acordos de cooperação firmados entre entidades associativas e o INSS. Em muitos casos, porém, os aposentados e pensionistas nunca autorizaram a cobrança. De acordo com a investigação, o dinheiro descontado era inicialmente depositado nas contas da Conafer e rapidamente transferido para empresas de fachada ligadas aos operadores financeiros da organização criminosa.