Justiça

Defesa de Bolsonaro nega ter autorizado vídeo com IA em convenção do PL

Advogados argumentam que restrições impostas por Moraes impediam qualquer contato sobre a produção do vídeo A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele não autorizou o uso de sua imagem e de sua voz para a produção do vídeo criado com Inteligência Artificial (IA) exibido durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada no último sábado (25), em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) à Presidência da República.

Por EDS NEWS • 29/07/2026 17:50 (horário de MT)

A manifestação foi protocolada nesta quarta-feira (29) em resposta a um pedido de esclarecimentos do ministro Alexandre de Moraes. A petição é assinada pelos advogados Celso Sanchez Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno, Daniel Bettamio Tesser, Saulo Lopes Segall, Gabriel Domingues e pelo próprio Flávio Bolsonaro, que também integra a defesa do ex-presidente. No documento, os advogados afirmam que Bolsonaro não apenas deixou de autorizar a produção do material, como também estaria impossibilitado de fazê-lo.

Segundo a defesa, decisão proferida por Moraes em 17 de julho suspendeu por 30 dias o direito de visitas ao ex-presidente e proibiu Flávio Bolsonaro de visitá-lo por 90 dias, o que, na avaliação dos advogados, demonstra que não houve contato para obtenção de qualquer autorização específica.

A defesa acrescenta que, mesmo antes das restrições impostas pelo STF, os filhos de Bolsonaro utilizavam de forma recorrente sua imagem pública em atividades político-partidárias, reproduzindo discursos, entrevistas, fotografias e outras manifestações públicas, prática que, segundo os advogados, nunca foi contestada pelo ex-presidente. Em publicação na rede social X, o advogado Paulo Cunha Bueno também criticou as medidas impostas ao ex-presidente.

Segundo ele, a condenação de Bolsonaro extrapolou a suspensão dos direitos políticos ao impedir qualquer manifestação pública ou atividade de natureza política durante o período eleitoral. A defesa classificou a situação como um “silenciamento político”, sustentando que a restrição não encontra respaldo na Constituição.

Veja a nota completa abaixo: “Recebemos nesta data a intimação encaminhada pelo Ministro Alexandre de Moraes à defesa do Presidente Bolsonaro, determinando a apresentação de explicações sobre o uso de video contendo suas imagens, gerado por IA, e apresentado durante a convenção do Partido Liberal, havida em São Paulo no último sábado, inicialmente, cumpre consignar que o Presidente Bolsonaro não autorizou a utilização de sua imagem e voz para a produção do vídeo elaborado mediante inteligência artificial referido na decisão. Aliás, sequer poderia fazê-lo.