Cultura

Coletânea reúne poetas invisibilizadas ao longo de quatro séculos

Para as autoras mulheres, só escrever nunca é uma opção. Autora do livro Inesquecíveis: Quatro Séculos de Poetas Brasileiras (Bazar do Tempo), a pesquisadora Ana Rüsche conclui que essa é uma marca identificada entre os nomes r...

Por EDS NEWS • 24/07/2026 20:17 (horário de MT)

Para as autoras mulheres, só escrever nunca é uma opção. Autora do livro Inesquecíveis: Quatro Séculos de Poetas Brasileiras (Bazar do Tempo), a pesquisadora Ana Rüsche conclui que essa é uma marca identificada entre os nomes reunidos na obra, como Martha de Hollanda (1903–1950), Patrícia Galvão, a Pagu (1910-1962) e Beatriz Nascimento (1942-1995). “São mulheres que não só têm que escrever, mas têm que organizar a luta política, têm que organizar a própria crítica. Isso é muito comum na vida das poetas, elas sempre fazem várias coisas ao mesmo tempo: elas traduzem, publicam, organizam outras mulheres.

Só escrever nunca é uma opção”, declarou Ana, que é professora de teoria literária na Universidade de Brasília (UnB), em entrevista à Agência Brasil. Notícias relacionadas 70 anos de Grande Sertão: Veredas é tema de eventos gratuitos na Flip. Flip: evento de abertura define Orides Fontela como poeta universal. Primeiros poemas da juventude já revelavam grandeza de Orides Fontela. Na obra, que tem coautoria de Lubi Prates, as escritoras traçam um panorama da poesia brasileira escrita por mulheres, do século 18 às primeiras décadas do século 21, que sofreram com o apagamento histórico.

Além de reunir poemas das autoras, o livro apresenta os perfis e suas trajetórias pouco conhecidas, além de difundir pesquisas sobre essas poetas. Com isso, a obra propõe novas referências para o estudo da literatura brasileira. As autoras viveram momentos-chave da história do Brasil, como o movimento pela independência, a luta pelo voto feminino e o fortalecimento da imprensa feminista, chegando à recente expansão da diversidade no mercado editorial, com representantes contemporâneas como Conceição Evaristo.

Ana Rüsche participou de roda de conversa na Casa Sete Selos + Gama, Megafauna e Supersônica, que levou o nome de seu livro, na noite desta quinta-feira (23), durante a 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Participaram da mesa também Claudia Roquette Pinto, Esmeralda Ribeiro, Maria Manoella e Marília Kubota. Neste ano, a autora homenageada da Flip é a poeta Orides Fontela (1940-1998), cuja obra também permaneceu invisibilizada diante do grande público durante boa parte da vida e mesmo depois de sua morte.