Justiça

Celular de Zampieri expõe elo entre lobista de MT, esposa de juiz federal e decisões sob suspeita no STJ

RASTROS E CONEXÕES

Por EDS NEWS • 26/07/2026 13:20 (horário de MT)

JB News Por Emerson Teixeira Investigação da Polícia Federal aponta atuação conjunta para favorecer processos ligados ao ex-senador Luiz Estêvão, identifica transferência de R$ 250 mil após decisão favorável e leva STF a autorizar apuração formal contra o ministro Moura Ribeiro O conteúdo armazenado nos aparelhos e nas contas digitais vinculadas ao advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros em Cuiabá no fim de 2023, abriu uma nova e sensível frente de investigação dentro do Judiciário brasileiro.

A Polícia Federal encontrou mensagens que indicariam uma conexão entre o lobista mato-grossense Andreson de Oliveira Gonçalves e a advogada Aline Gonçalves de Sousa, esposa do juiz federal César Jatahy, integrante do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em articulações relacionadas a processos que tramitavam no Superior Tribunal de Justiça. Os investigadores apuram a suspeita de que decisões judiciais tenham sido negociadas para favorecer o empresário e ex-senador Luiz Estêvão, proprietário do Grupo OK e do portal Metrópoles. As informações constam em relatório da Polícia Federal revelado pela Folha de S.

Paulo e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, onde o inquérito tramita sob a relatoria do ministro Cristiano Zanin. A documentação produzida pela PF levou Zanin a autorizar, em maio de 2026, a inclusão formal do ministro Paulo Moura Ribeiro, do STJ, nas investigações. Ele é o primeiro integrante da Corte Superior a passar oficialmente à condição de investigado no inquérito aberto no Supremo para apurar uma suposta rede de venda de decisões, acesso privilegiado a processos e circulação antecipada de informações internas de gabinetes.

Até então, as suspeitas estavam concentradas principalmente na atuação de lobistas, advogados, empresários e antigos servidores do Superior Tribunal de Justiça. O avanço sobre um ministro em exercício amplia a dimensão institucional do caso e coloca a Polícia Federal diante da tarefa de esclarecer se as decisões questionadas resultaram efetivamente de interferências criminosas ou se os investigados apenas exploravam nomes, contatos e informações do tribunal para vender uma influência que não possuíam.