Caseiro é condenado a 33 anos e 10 meses de prisão pelo assassinato do advogado Renato Nery

O Conselho de Sentença condenou, na tarde desta quarta-feira (15), o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva a 33 anos e 10 meses de reclusão, em regime inicial fechado, pelo assassinato do advogado Renato Gomes Nery, morto a tiros em julho de 2024, em Cuiabá. O julgamento foi realizado no Fórum da Capital e encerrou a primeira ação penal levada a júri popular no caso que, segundo as investigações, teve como motivação uma disputa por terras.
Por maioria dos votos, os jurados reconheceram a autoria do homicídio e acolheram as qualificadoras de paga ou promessa de recompensa, emprego de meio que resultou em perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima. Também reconheceram a causa de aumento de pena prevista no Código Penal em razão de Renato Nery ter 72 anos na época do crime. Além da condenação pelo homicídio qualificado, Alex foi condenado por fraude processual e organização criminosa, sendo absolvido da acusação de abuso de autoridade.
Ao fazer a dosimetria da pena, o juiz fixou inicialmente a pena-base do homicídio em 24 anos de reclusão, acima do mínimo legal. Segundo o magistrado, a elevada culpabilidade do réu extrapolou a reprovabilidade comum ao crime de homicídio, diante do planejamento detalhado da execução, da motivação financeira e da estrutura criminosa montada para garantir a morte da vítima. Na sentença, o juiz afirmou que ficou comprovado que Alex realizou treinamentos com a arma utilizada no crime, praticando disparos dias antes da execução para aperfeiçoar a pontaria.
Também destacou que o réu monitorou previamente a rotina do advogado, chegando a passar em frente ao escritório da vítima na véspera do assassinato para observar o local, analisar a movimentação e planejar a fuga. Outro ponto ressaltado foi que o homicídio ocorreu em plena Avenida Fernando Corrêa da Costa, uma das vias mais movimentadas de Cuiabá, em horário comercial, colocando em risco motoristas, motociclistas e pedestres. Para o magistrado, as circunstâncias demonstram elevado grau de frieza, determinação e profissionalismo, características típicas de um homicídio por encomenda.