Justiça

Abandono da defesa provoca reviravolta e adia júri de Carlinhos Bezerra em caso de duplo assassinato

“IMPLOSÃO DA DEFESA”

Por EDS NEWS • 21/07/2026 11:53 (horário de MT)

JB News Por Emerson Teixeira O julgamento foi remarcado para 31 de julho O Tribunal do Júri que julgaria, na manhã desta terça-feira (21), o empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, acusado pelo feminicídio da ex-companheira Thays Machado e pelo homicídio de Willian César Moreno, sofreu uma reviravolta inesperada logo nos primeiros minutos da sessão. O julgamento foi interrompido após a defesa abandonar o caso, levando a Justiça a remarcar o júri para o próximo dia 31 de julho, às 9 horas, no Fórum de Cuiabá.

A decisão foi tomada pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal da Capital, que determinou que o réu constitua imediatamente uma nova equipe de defesa. Caso isso não aconteça dentro do prazo fixado, o defensor público Marcus Vinícius Esbalqueiro já foi intimado para assumir a representação do acusado. A acusação continua sendo conduzida pelos promotores de Justiça Élide Manzini de Campos e Vinícius Gahyva Martins. Até o início da sessão, Carlinhos Bezerra era representado pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.

O episódio provocou forte repercussão nos bastidores do Judiciário mato-grossense. Embora o abandono da defesa seja uma possibilidade prevista na legislação, trata-se de uma situação considerada extremamente incomum em julgamentos do Tribunal do Júri, justamente porque envolve crimes dolosos contra a vida e exige a preservação absoluta do direito constitucional à ampla defesa. Na prática, a interrupção da sessão impede que o julgamento prossiga sem que o acusado esteja devidamente assistido por advogado.

O entendimento jurídico é de que um júri realizado nessas condições poderia ser posteriormente anulado, comprometendo toda a validade do julgamento. O caso amplia ainda mais a longa sequência de tentativas da defesa para impedir que Carlinhos Bezerra seja levado ao Tribunal do Júri. Nos últimos dias, os advogados haviam protocolado sucessivos pedidos para suspender a sessão, alegando cerceamento de defesa e insuficiência de tempo para analisar aproximadamente 109 gigabytes de provas digitais reunidas pela investigação, entre imagens de câmeras de segurança, extrações de celulares e outros elementos técnicos.