A cerimônia do Kuarup, ritual indígena do Xingu, em Mato Grosso, a partir desta quarta-feira (19.03), se torna manifestação da cultura nacional. A informação consta na Lei 15.113/2025 sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Fica reconhecida como manifestação da cultura nacional a cerimônia do Kuarup, realizada no Parque Nacional do Xingu, no Estado de Mato Grosso”, diz trecho da norma publicada no Diário Oficial da União (DOU).
O Kuarup reúne diversas etnias do Alto Xingu e é realizado entre os meses de agosto e setembro no Parque Nacional do Xingu.
O ritual ocorre sempre um ano após a morte dos parentes indígenas. Os troncos de madeira, colocados no centro do pátio da aldeia, ornamentados, representam cada homenageado falecido e são o ponto principal de todo o ritual. Em torno deles, as famílias realizam uma homenagem aos entes queridos.
No primeiro dia de evento, os indígenas realizam as tradicionais pinturas dos troncos e também dos familiares que estão de luto. Ainda na parte da manhã, ocorre a dança dos guerreiros e a Dança Uruá, em que dois indígenas percorrem as casas da aldeia tocando a flauta uruá, que dá nome ao rito. Durante a tarde e até o final do dia, é entoado o canto sagrado Kuarup Maraka. Na ocasião, há a recepção solene das etnias convidadas e a condução dos enlutados para perto dos troncos Kuarup.
No segundo dia de evento, os convidados podem apreciar a tradicional luta chamada Huka Huka. A preparação da modalidade inicia-se na noite anterior, na qual os guerreiros se prepararam, se arranhando com dente de um peixe da espécie "cachorro", passando ervas em toda a pele e pintando seus corpos e cabelo com jenipapo e urucum. Tudo isso com um objetivo: enfrentar seus adversários e, assim, ganhar a luta.
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